segunda-feira, 26 de novembro de 2007

"Sinais - II"


Só mais um sinal...

Mais uma música que me traduz....


"Coisas que eu sei" [Danni Carlos]


Eu quero ficar perto
De tudo o que acho certo
Até o dia em que eu mudar de opinião

A minha experiência
Meu pacto com a ciência
Meu conhecimento é minha distração
Coisas que eu sei
Eu adivinho sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio relógio mostra o tempo errado
Aperte o play
Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado

Ninguém sabe mexer na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo tá fechado pra visitação
Coisas que eu sei
O medo mora perto das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa
É minha Lei
Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais depois que eu já paguei
Eu vejo filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro do que eu desenhei
Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas no meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos que eu não sei usar
Eu já comprei

Ás vezes dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo mais afundo em mim
Eu moro num cenário
Do lado imaginário
Eu entro e saio sempre quando tô afim
Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia
Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia
Agora eu sei

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

"Sinais - I"


Quando me amei de verdade...

...pude compreender que em qualquer circunstância,eu estava no lugar certo,na hora certa. Então pude relaxar.

...pude perceber que o sofrimento emocional é um sinal de que estou indo contra a minha verdade.

...parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.

...comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma coisa ou alguém que ainda não está preparado- inclusive eu mesma.

...comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável. Isso quer dizer: pessoas, tarefas,crenças e - qualquer coisa queme pusesse pra baixo. Minha razão chamou isso de egoísmo. Mas hoje eu sei que é amor-próprio.

...deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer planos. Hoje faço o que acho certo e no meu próprio ritmo. Como isso é bom!

...desisti de querer ter sempre razão,e com isso errei muito menos vezes.

...desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Isso me mantém no presente,que é onde a vida acontece.

...percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração,ela se torna uma grande e valiosa aliada. [Kim McMillen]


Simples ênfase nas idéias da postagem anterior...

Sem mais....

sábado, 17 de novembro de 2007

"Egoísmo?"


"Há algum tempo, comecei a dar adeus a tudo que não me era saudável. De início, minha razão me fez crer que isso era egoísmo, mas resolvi continuar, partindo do pressuposto de que um pouco de egoísmo pode às vezes ser positivo. Joguei fora bilhetes passados da validade, me livrei de pessoas que me punham para baixo, busquei encerrar histórias que povoavam minhas piores lembranças. Falei sobre coisas que restavam entaladas na garganta, arrumei meu guarda-roupa, joguei fora muitos papéis e doei peças que já não usava. Então, cortei meu cabelo, revelei fotos novas e pus no meu mural. Eliminei pouco a pouco o que não me fazia bem, mudei de postura, telefonei para velhos amigos que eu gostaria de rever, e mantive apenas a positividade que aprendi a ter. Foi então que percebi que nada disso era egoísmo. Era, na verdade, amor-próprio. - perdemos tempo e energia tentando justificar as atitudes erradas dos outros - e às vezes, as nossas - quando na verdade, deveríamos nos concentrar em fazer o melhor que pudemos." [Rafinhalela]


Achei esse texto em um fotolog...
Não fiz nenhuma modificação...é exatamente o que passo no atual momento da minha vida.
Muitas vezes me vi em um impasse: "Estou sendo egoísta? Injusta?"
Depois de muito analisar, percebi que não. Às vezes é realmente preciso nos desprender de tudo aquilo que nos incomoda e que vamos levando por acreditar que um dia não vai mais incomodar, o que muitas vezes é mera ilusão. Ou você se desvincula ou não encontrará outra saída.
Somos o que queremos ser. Sofremos o que nos permitimos sofrer. Crescemos o quanto queremos.
Algo te impede de ser feliz? Impede-te de crescer? Impede-te de ter paz?
Livre arbítrio, já ouviu falar? Você tem escolhas, faça! Mas arque com as consequências de cada uma, seja quais forem.
Somos aquilo que pensamos. O que pensam de você? Mera especulação... cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Cada um sabe onde aperta seu calo. Cada cabeça uma sentença.
A vida vai passando e muitas vezes vamos tentando passar por cima ou fechar os olhos para o que nos incomoda. Pra quê? Melhor é encarar de frente e poder dormir todas as noites de consciência tranquila por ter feito o melhor e mesmo que não tenha dado certo, ainda estar tranquilo por saber que fez sua parte. Perdemos um tempo precioso tentando entender o ininteligível. "Não tente entender, a vida ultrapassa qualquer entendimento".
Talvez hoje seja um pouco mais egoísta, ou talvez tenha um pouco mais de amor-próprio. Seja o que for, estou bem. Estou em paz comigo.


terça-feira, 13 de novembro de 2007

"O sentir silenciado"


"...qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada". [Martha Medeiros]

Eis que me deparo mais uma vez com as palavras de Martha Medeiros. Cada dia que passa eu me interesso mais pelos escritos dela. Há uma grande identificação e afinidade da minha parte com a forma como ela expressa sentimentos, sensações e indignações.
"Triste é não sentir nada". De fato! Tenho verdadeiro pavor à frieza.
Conheço poucas pessoas assim e deve ser terrível viver envolto em uma "redoma de gelo".
Mas pra ser sincera não acredito muito nessa frieza absoluta. O que acontece, na minha opinião é o que chamo de 'mecanismo de defesa'. A pessoa sofre muitas decepções e por isso, tentando se proteger de mais frustrações, cria uma imagem de insensibilidade. Se formos observar, os 'insensíveis' gastam mais seu tempo 'fazendo' [como diz o texto]. Por quê? Porque há uma necessidade de mostrar para os demais que atitudes 'friamente calculadas' são mais eficientes do que 'atitudes sentimentais' como chorar, sorrir, abraçar, beijar, falar e fazer qualquer coisa sinceramente, sem medo.
Sou uma pessoa muito 'fechada', falo muito pouco sobre o que realmente sinto, sou muito introspectiva (isso às vezes me faz mal, admito). Por isso é comum eu escutar "Por que tu estás triste?". Às vezes é tristeza enrustida mesmo, outras não. Ultimamente tenho me concentrado mais ainda em 'sentir' do que em 'fazer'. Isso tem aguçado minha percepção das coisas ao meu redor. Falar nem sempre é bom, há momentos em que o silêncio nos oferece as melhores respostas, nos traz calmaria, tranquilidade... Não é à toa que tenho ouvido coisas diferentes do que o habitual, como: "Tu estás tão bem!"
O 'silêncio sufocado' transparece dor ou deturpa sentimentos. O 'silêncio natural' traz a tranquilidade, paz... é possível escutar a tão falada 'voz interior', e muitas vezes ela nos fala coisas inimagináveis que nos fazem despertar para o que é realmente essencial e para o que é absolutamente dispensável.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

"Persona non grata"


"...A todos trato muito bem, sou cordial, educada, quase sensata,mas nada me dá mais prazer que ser persona non grata, expulsa do paraiso, uma mulher sem juízo, que não se comove com nada, cruel e refinada, que não merece ir pro céu, uma vilã de novela, mas bela, e até mesmo culta, estranha com tantos amigos e amada, bem vestida e respeitada. Aqui entre nós: melhor que ser boazinha é não poder ser imitada". (Martha Medeiros)


Estava buscando inspiração para escrever. Comecei a fuçar alguns sites de crônicas, li muitas e me deparei com este pequeno texto desta autora, acredito que pouco conhecida, mas que incrivelmente escreve com coragem. Digo isso porque é muito comum em vários escritores (com poucas exceções) um quê de pieguice, fantasia e mascaramento de sentimentos.
Eu me identifico muitíssimo com os textos dela. Trata os sentimentos de uma forma realista, é autêntica e faz uso de uma linguagem direta e clara.
Eu até sorri quando li este pequeno texto. É, a carapuça me serviu perfeitamente!
Já é de praxe que eu seja 'condenada'. E é uma 'condenação' lato senso. Vejamos:

- Se fico muito calada: "Nossa, por que tu estás de cara emburrada?" ou "O que tu tens?";
- Se eu falo muito: "Dá um tempo, não viaja!" ou "O que tu tens?",
- Se eu faço caras e bocas: "Não suporto teu ar de ironia!" ou "O que tu tens?"
- Se eu entro na 'onda' e brinco: "Tu não és assim, estás muito engraçadinha hoje!" ou "O que tu tens?";
- Se eu não bebo: "Por que tu estás 'aziada'?" ou "O que tu tens?";
- Se eu encho a cara: "Já estás fazendo besteira demais..." ou "O que tu tens?";
- Se eu guardo para mim o que não me agrada: "Fala logo, por que tu não falas, já vi que tu não gostastes!" ou "O que tu tens?"
- Se eu abro o verbo e falo o que não gostei: "Pára de me criticar, deixa de ser chata! (só quer ser 'certinha' e 'madura')" ou "O que tu tens?";
- Se eu não falo dos meus assuntos: "Fala! (vou fingir que estou interessado (a))" ou "O que tu tens?";
- Se eu falo dos meus assuntos ou sobre o que acho interessante: "Pára, nada a ver..." ou "O que tu tens?";
- Se eu me retraio por me sentir um 'peixe fora d'água': "Deixa de ser aziada, vem pra cá..." ou "O que tu tens?";
- Se eu me solto e me introso: "Hum..tu não estás normal..ei, pára..." ou "O que tu tens?"

E por aí vai.... Tudo incomoda! Cruzes! Como eu sou chata!!!
De uma forma ou de outra, eu sempre sou 'assunto'. Não, não é pretensão! É um incômodo muito grande! Por quê? Vai saber, não é?
Por isso é que sou o que sou... defeitos, qualidades... sou assim.
Mas bom mesmo é ser Persona non grata.
Prefiro ser autêntica do que ser aceita. Além de mais interessante, é diverdito!
Lembrem-se, agora, além de chata, sou também persona non grata!

sábado, 3 de novembro de 2007

"Errar é a falha do raciocínio e perdoar é evolutivo"



Essa semana eu perdoei alguém.
Eu não desculpei, eu perdoei!
Para alguns, pode parecer fato banal, para outros mero clichê e para poucos um ato benevolente e amável.
Não sei qual é a sua religião, em quê você acredita ou se não acredita. Mas indepente de qualquer uma destas hipóteses, qual seja sua religião [ou religiosidade, que são coisas diferentes], quais são seus credos ou se você é absolutamente cético, ainda que não esteja vinculado à idéia de religião, mas sim ao lado 'filosófico' ou meramente prático, o perdão e seus 'conceitos' nos cercam de alguma forma.
Clichê, ou não, perdoar não é fácil. Requer humildade, empatia [colocar-se no lugar do outro é fundamental para entender seus motivos], desapego e respeito ao outro [ainda que ele não tenha tido com você].
Julgar é fácil, apontar, acusar... mas se colocar no lugar de quem lhe feriu e tentar compreender o que lhe levou a errar não é simples. ('...Mais fácil julgar do que ter que olhar pras próprias mentiras, tentar esconder pra não ter que ver onde dói a ferida...').Imagine então na hora da mágoa, lembrar que você é humano e como tal, poderia ter cometido o mesmo erro ou então qualquer outro. Errar, ainda é uma das coisas que nos qualifica como humanos,é superficialmente falando, a falha daquilo que 'teoricamente' nos faz tão diferente dos outros seres, o raciocínio. Se isso nos qualifica como humanos, o perdão é o que nos faz evoluir como tais (independentemente da sua concepção de 'evolução', seja ela religiosa ou de crescimento pessoal). É, voltamos a mais um clichê: "Errar é humano, perdoar é divino".
Não acredito, como muitos dizem, que perdoar é esquecer, não! Perdoar, para mim, é lembrar sem mágoas. Convenhamos, ninguém esquece um mal que lhe é feito, da mesma forma que costumamos lembrar de quem nos estende a mão quando mais precisamos. É preciso lembrar, isso faz parte do nosso processo evolutivo! Da mesma forma, é preciso retirar a mágoa e o rancor para que não nos fechem os caminhos.
E assim, mesmo com muitas coisas perturbando meus pensamentos e minha vida, eu me sinto mais 'leve'.. perdoar de coração traz a sensação de bem-estar, alivia a alma e a consciência.

"O carro novo"

Era uma vez um rapaz que ia muito mal na escola. Suas notas e o comportamento eram uma decepção para seus pais que, como bons pais, sonhavam em vê-lo formado e bem sucedido.


Um belo dia, o bom pai lhe propôs um acordo: "Se você, meu filho, mudar o seu comportamento, se dedicar aos estudos e conseguir ser aprovado no vestibular para a faculdade de medicina, lhe darei então um carro de presente.


Por causa do carro, o rapaz mudou da água para o vinho. Passou a estudar como nunca e a ter um comportamento exemplar. O pai estava feliz, mas tinha uma preocupação: sabia que a mudança do rapaz não era fruto de uma conversação sincera, mas apenas do interesse em obter o automóvel, e isso não era bom.


O rapaz seguia os estudos e aguardava o resultado de seus esforços. Assim o grande dia chegou! Fora aprovado para o curso de medicina. Como havia prometido, o pai convidou a família e os amigos para uma festa de comemoração. O rapaz tinha por certo que na festa o pai lhe daria o automóvel.


Quando pediu a palavra, o pai elogiou o resultado obtido pelo filho e lhe passou às mãos uma caixa de presente. Crendo que ali estavam as chaves do carro, o rapaz abriu emocionado o pacote. Para sua surpresa era uma Bíblia. O rapaz ficou visivelmente decepcionado e nada disse.
A partir daquele dia, o silêncio e a distância separavam pai e filho. O jovem se sentia traído e, agora, lutava para ser independente. Deixou a casa dos pais e foi morar no campus da Universidade. Raramente mandava notícias à família.


O tempo passou, ele se formou e conseguiu um emprego em um bom hospital, esquecendo-se completamente do pai. Todas as tentativas do pai para reatar os laços foram em vão, até que um dia o velho, muito triste com a situação, adoeceu e não resistiu, vindo a falecer.


No enterro, a mãe entregou ao filho, indiferente, a Bíblia que tinha sido o último presente do pai e que havia sido deixada para trás. De volta à sua casa, o rapaz, que nunca perdoara o pai, quando colocou a Bíblia numa estante, notou que havia um envelope dentro dela. Ao abri-lo, encontrou uma carta e um cheque. A carta dizia: "Meu querido filho, sei o quanto você deseja Ter um carro. Eu prometi e aqui está o cheque para que você escolha aquele carro que mais lhe agradar. No entanto, fiz questão de lhe dar um presente ainda melhor: a Bíblia Sagrada. Nela aprenderá o amor a Deus e a fazer o bem, não pelo prazer da recompensa, mas pela gratidão e pelo dever de consciência."


Corroído pelo remorso o filho caiu em profundo pranto. E a carta finaliza assim: "Como é triste a vida dos que não sabem perdoar. Isso leva a erros terríveis e a um fim ainda pior. Antes que seja tarde perdoe aquele a quem você pensa ter feito mal. Talvez se olhar com cuidado, vai ver que ali também há um cheque escondido".