sábado, 3 de novembro de 2007

"Errar é a falha do raciocínio e perdoar é evolutivo"



Essa semana eu perdoei alguém.
Eu não desculpei, eu perdoei!
Para alguns, pode parecer fato banal, para outros mero clichê e para poucos um ato benevolente e amável.
Não sei qual é a sua religião, em quê você acredita ou se não acredita. Mas indepente de qualquer uma destas hipóteses, qual seja sua religião [ou religiosidade, que são coisas diferentes], quais são seus credos ou se você é absolutamente cético, ainda que não esteja vinculado à idéia de religião, mas sim ao lado 'filosófico' ou meramente prático, o perdão e seus 'conceitos' nos cercam de alguma forma.
Clichê, ou não, perdoar não é fácil. Requer humildade, empatia [colocar-se no lugar do outro é fundamental para entender seus motivos], desapego e respeito ao outro [ainda que ele não tenha tido com você].
Julgar é fácil, apontar, acusar... mas se colocar no lugar de quem lhe feriu e tentar compreender o que lhe levou a errar não é simples. ('...Mais fácil julgar do que ter que olhar pras próprias mentiras, tentar esconder pra não ter que ver onde dói a ferida...').Imagine então na hora da mágoa, lembrar que você é humano e como tal, poderia ter cometido o mesmo erro ou então qualquer outro. Errar, ainda é uma das coisas que nos qualifica como humanos,é superficialmente falando, a falha daquilo que 'teoricamente' nos faz tão diferente dos outros seres, o raciocínio. Se isso nos qualifica como humanos, o perdão é o que nos faz evoluir como tais (independentemente da sua concepção de 'evolução', seja ela religiosa ou de crescimento pessoal). É, voltamos a mais um clichê: "Errar é humano, perdoar é divino".
Não acredito, como muitos dizem, que perdoar é esquecer, não! Perdoar, para mim, é lembrar sem mágoas. Convenhamos, ninguém esquece um mal que lhe é feito, da mesma forma que costumamos lembrar de quem nos estende a mão quando mais precisamos. É preciso lembrar, isso faz parte do nosso processo evolutivo! Da mesma forma, é preciso retirar a mágoa e o rancor para que não nos fechem os caminhos.
E assim, mesmo com muitas coisas perturbando meus pensamentos e minha vida, eu me sinto mais 'leve'.. perdoar de coração traz a sensação de bem-estar, alivia a alma e a consciência.

"O carro novo"

Era uma vez um rapaz que ia muito mal na escola. Suas notas e o comportamento eram uma decepção para seus pais que, como bons pais, sonhavam em vê-lo formado e bem sucedido.


Um belo dia, o bom pai lhe propôs um acordo: "Se você, meu filho, mudar o seu comportamento, se dedicar aos estudos e conseguir ser aprovado no vestibular para a faculdade de medicina, lhe darei então um carro de presente.


Por causa do carro, o rapaz mudou da água para o vinho. Passou a estudar como nunca e a ter um comportamento exemplar. O pai estava feliz, mas tinha uma preocupação: sabia que a mudança do rapaz não era fruto de uma conversação sincera, mas apenas do interesse em obter o automóvel, e isso não era bom.


O rapaz seguia os estudos e aguardava o resultado de seus esforços. Assim o grande dia chegou! Fora aprovado para o curso de medicina. Como havia prometido, o pai convidou a família e os amigos para uma festa de comemoração. O rapaz tinha por certo que na festa o pai lhe daria o automóvel.


Quando pediu a palavra, o pai elogiou o resultado obtido pelo filho e lhe passou às mãos uma caixa de presente. Crendo que ali estavam as chaves do carro, o rapaz abriu emocionado o pacote. Para sua surpresa era uma Bíblia. O rapaz ficou visivelmente decepcionado e nada disse.
A partir daquele dia, o silêncio e a distância separavam pai e filho. O jovem se sentia traído e, agora, lutava para ser independente. Deixou a casa dos pais e foi morar no campus da Universidade. Raramente mandava notícias à família.


O tempo passou, ele se formou e conseguiu um emprego em um bom hospital, esquecendo-se completamente do pai. Todas as tentativas do pai para reatar os laços foram em vão, até que um dia o velho, muito triste com a situação, adoeceu e não resistiu, vindo a falecer.


No enterro, a mãe entregou ao filho, indiferente, a Bíblia que tinha sido o último presente do pai e que havia sido deixada para trás. De volta à sua casa, o rapaz, que nunca perdoara o pai, quando colocou a Bíblia numa estante, notou que havia um envelope dentro dela. Ao abri-lo, encontrou uma carta e um cheque. A carta dizia: "Meu querido filho, sei o quanto você deseja Ter um carro. Eu prometi e aqui está o cheque para que você escolha aquele carro que mais lhe agradar. No entanto, fiz questão de lhe dar um presente ainda melhor: a Bíblia Sagrada. Nela aprenderá o amor a Deus e a fazer o bem, não pelo prazer da recompensa, mas pela gratidão e pelo dever de consciência."


Corroído pelo remorso o filho caiu em profundo pranto. E a carta finaliza assim: "Como é triste a vida dos que não sabem perdoar. Isso leva a erros terríveis e a um fim ainda pior. Antes que seja tarde perdoe aquele a quem você pensa ter feito mal. Talvez se olhar com cuidado, vai ver que ali também há um cheque escondido".

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