
"...A todos trato muito bem, sou cordial, educada, quase sensata,mas nada me dá mais prazer que ser persona non grata, expulsa do paraiso, uma mulher sem juízo, que não se comove com nada, cruel e refinada, que não merece ir pro céu, uma vilã de novela, mas bela, e até mesmo culta, estranha com tantos amigos e amada, bem vestida e respeitada. Aqui entre nós: melhor que ser boazinha é não poder ser imitada". (Martha Medeiros)
Estava buscando inspiração para escrever. Comecei a fuçar alguns sites de crônicas, li muitas e me deparei com este pequeno texto desta autora, acredito que pouco conhecida, mas que incrivelmente escreve com coragem. Digo isso porque é muito comum em vários escritores (com poucas exceções) um quê de pieguice, fantasia e mascaramento de sentimentos.
Eu me identifico muitíssimo com os textos dela. Trata os sentimentos de uma forma realista, é autêntica e faz uso de uma linguagem direta e clara.
Eu me identifico muitíssimo com os textos dela. Trata os sentimentos de uma forma realista, é autêntica e faz uso de uma linguagem direta e clara.
Eu até sorri quando li este pequeno texto. É, a carapuça me serviu perfeitamente!
Já é de praxe que eu seja 'condenada'. E é uma 'condenação' lato senso. Vejamos:
- Se fico muito calada: "Nossa, por que tu estás de cara emburrada?" ou "O que tu tens?";
- Se eu falo muito: "Dá um tempo, não viaja!" ou "O que tu tens?",
- Se eu faço caras e bocas: "Não suporto teu ar de ironia!" ou "O que tu tens?"
- Se eu entro na 'onda' e brinco: "Tu não és assim, estás muito engraçadinha hoje!" ou "O que tu tens?";
- Se eu não bebo: "Por que tu estás 'aziada'?" ou "O que tu tens?";
- Se eu encho a cara: "Já estás fazendo besteira demais..." ou "O que tu tens?";
- Se eu guardo para mim o que não me agrada: "Fala logo, por que tu não falas, já vi que tu não gostastes!" ou "O que tu tens?"
- Se eu abro o verbo e falo o que não gostei: "Pára de me criticar, deixa de ser chata! (só quer ser 'certinha' e 'madura')" ou "O que tu tens?";
- Se eu não falo dos meus assuntos: "Fala! (vou fingir que estou interessado (a))" ou "O que tu tens?";
- Se eu falo dos meus assuntos ou sobre o que acho interessante: "Pára, nada a ver..." ou "O que tu tens?";
- Se eu me retraio por me sentir um 'peixe fora d'água': "Deixa de ser aziada, vem pra cá..." ou "O que tu tens?";
- Se eu me solto e me introso: "Hum..tu não estás normal..ei, pára..." ou "O que tu tens?"
E por aí vai.... Tudo incomoda! Cruzes! Como eu sou chata!!!
De uma forma ou de outra, eu sempre sou 'assunto'. Não, não é pretensão! É um incômodo muito grande! Por quê? Vai saber, não é?
De uma forma ou de outra, eu sempre sou 'assunto'. Não, não é pretensão! É um incômodo muito grande! Por quê? Vai saber, não é?
Por isso é que sou o que sou... defeitos, qualidades... sou assim.
Mas bom mesmo é ser Persona non grata.
Prefiro ser autêntica do que ser aceita. Além de mais interessante, é diverdito!
Lembrem-se, agora, além de chata, sou também persona non grata!
3 comentários:
Égua SuSSu ... o que tu tens? euhehuhueehuuhehueuhe
Acho que antes, durante ou depois de ser persona non grata, o importante é não ser esquecido.
Essa Marta lançou um livro muito bacana recentemente ... um livro de cartas cujos remetentes ela inventou. Muito legal. Já que gostas dela, acho que vale a pena ir atrás.
martha medeiros sabe ser sutil e honesta quando expõe o que pensa, diferente de muita coisa que costumamos ler.
e ela tem ótimas poesias também.
^^
[o pior é quando perguntam o que temos sem a mínima vontade de saber o que se passa... ou se realmente passa algo...]
bjinho!
sim, sim, sim!
e cadê os teus poemitos, moça?
hihih
já quero conhecê-los!
bjos!
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